Dicionário de Músicos


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INTRODUÇÃO
 
Na última década, a Direção Regional de Educação, através dos Serviços de Educação Artística e Multimédia, tem realizado investigação no domínio da musicologia histórica com os propósitos de valorizar e defender o património cultural madeirense através do currículo escolar e, consequentemente, de criar um sentimento de identidade coletiva junto dos alunos e da comunidade em geral. Neste sentido, ao registar biografias de músicos relevantes na história da Madeira, o Dicionário de Músicos na Madeira – Séculos XIX e XX (DMM) pretende ser, por conseguinte, um instrumento de defesa e de promoção da cultura musical madeirense.

O período escolhido para o DMM abrange os séculos XIX e XX. É um período relativamente extenso, mas que tem a vantagem de permitir uma pesquisa fundamentada na imprensa periódica, que existe no Funchal desde 1821. No total, foram recolhidas mais de 15.000 notícias em periódicos da Madeira, tarefa que permitiu identificar muitos músicos relevantes que foram caindo em esquecimento no decorrer dos tempos. Além das notícias de imprensa, outras fontes relevantes para o DMM foram as entrevistas aos próprios músicos ou a seus familiares. Utilizaram-se igualmente fontes secundárias resultantes da investigação de outros autores, de entre os quais deve destacar-se Luiz Peter Clode, Manuel Pedro Freitas e Vitor Sardinha.

Ao optar por um período tão extenso, e que acaba por estar tão próximo dos nossos dias, é natural que algumas personalidades musicais não se encontrem no DMM. Não se pretendeu voluntariamente omitir nenhum músico relevante e, por esse motivo, agradece-se antecipadamente a todas as pessoas que contribuam com informações e sugestões para o DMM. Os contributos levarão à actualização do DMM sempre que a Direção e a Coordenação Editorial considerarem que os biografados desempenharam um papel relevante para a música madeirense.

O conceito de «papel relevante» obriga naturalmente a explicitar os principais critérios que presidem à seleção dos músicos para o DMM: a) músicos sacros que ocuparam cargos de relevo na diocese do Funchal, tais como mestres de capela ou professores do seminário; b) regentes de orquestras, de bandas militares e civis e ainda de outros grupos musicais; c) instrumentistas ou cantores virtuosos e professores de música de relevo; d) compositores com um corpus de obras musicais valoroso ou com impacto na sociedade madeirense; e) jornalistas e críticos com textos elaborados no domínio musical; f) personalidades que lideraram instituições musicais relevantes.

No DMM procurou-se selecionar músicos de todos os «domínios musicais» existentes na Madeira, não se privilegiando nenhum estilo musical. Deste modo, é possível encontrar biografias de personalidades pertencentes a diferentes âmbitos, tais como a música erudita, o jazz, a música tradicional, o folclore, o pop-rock, o fado, a música popular e a infantil. Esta opção permite demonstrar a grande diversidade de «domínios musicais» existente na cultura musical madeirense, podendo contribuir igualmente para uma melhor compreensão da evolução dos géneros musicais e do gosto e do panorama culturais ao longo dos séculos XIX e XX.

Os verbetes do DMM seguiram uma estrutura sistemática, procurando-se, sempre que a informação recolhida o permitiu, organizar as entradas através da seguinte estrutura e com os seguintes elementos: informes vitais e pessoais; profissões no domínio musical; descrição sucinta da relevância do músico; formação geral e artística; percurso artístico; obra musical de relevo; lista de obras; discografia. As dimensões das biografias variam bastante e não refletem necessariamente a importância dos biografados – antes uma maior ou menor informação disponível ou encontrada.

A elaboração do DMM envolve uma equipa multidisciplinar à qual agradeço o enorme empenho – sem o qual seria impossível registar as histórias de personalidades musicais influentes na Madeira. Resta-me agradecer o entusiasmo do Doutor Carlos Gonçalves por este projeto, que criou todas as condições necessárias à sua concretização. Sem este empenho não seria possível os alunos da Madeira terem acesso ao património musical da sua região, ficando limitados à oferta das modas transitórias e da música que domina os meios de comunicação.
 
 
Paulo Esteireiro
Funchal, 20 de junho de 2013

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